Sobre a casa da atriz Bruna Linzmeyer (e outras tantas)

Confesso que já venho pensando em escrever esse post há muito tempo, e a divulgação recente da casa da atriz Bruna Linzmeyer serviu como o impulso que estava faltando. Se você tem o costume de seguir alguns veículos do nicho de decoração e interiores no Facebook, com certeza já se deparou com tudo que vou questionar nesse texto.

casa da atriz Bruna Linzmeyer

Eu entendo que uma revista de decoração existe para nos inspirar, para nos trazer conhecimento, dar dicas e nos atualizar sobre novidades do ramo. Como o assunto é casa, não se pode fazer isso exibindo cenários montados para foto, certo? Elas têm que mostrar casas de verdade.

Nem sempre esse termo “casa de verdade” se aplica à nossa realidade, o que é muito bom, porque reforça a pluralidade de estilos e gostos. Já pensou se o mundo inteiro gostasse exatamente da mesma decoração que você?

Mas algumas pessoas não entendem isso e respondem da maneira mais vazia que existe: criticando negativamente.

Uma vez, há alguns anos atrás, uma página que eu sigo no Facebook postou uma foto de um lavabo, enviado por uma leitora. A pia era basicamente um tampo de pedra apoiado num daqueles pés de máquina de costura antiga, com uma cuba de apoio em cima. Até aí, nada de mais. Mas o que chamou a atenção de todo mundo que comentou ali foi o fato de ter uma Bíblia aberta ao lado da cuba. Não pelo fato de ser uma Bíblia, mas pelo fato de ter um livro num lugar onde possivelmente respinga muita água. Vi comentários muito maldosos, ridicularizando aquilo (e até a personalidade da dona daquele lavabo), dizendo que ela não entendia nada de decoração.

Por esses dias, a Casa Vogue publicou uma matéria mostrando a casa da atriz Bruna Linzmeyer, com direito a um pequeno vídeo onde ela fala, radiante, sobre uma questão que eu insisto sempre aqui no blog: a “personalidade” da casa. Sim, uma casa tem que ter história, evocar sentimentos e tudo isso deve fazer parte de todo o contexto.

casa da atriz Bruna Linzmeyer

Novamente, o que me chamou a atenção foi a reação do público. Não vou nem discutir a estética do projeto de interiores porque isso só diz respeito unica e exclusivamente à dona da casa.

casa da atriz Bruna Linzmeyer

As pessoas se acham no direito de opinar onde não convém. Selecionei alguns comentários (obviamente, as identidades das pessoas foram apagadas propositalmente para preservá-las) e gostaria que você, que está lendo esse texto, refletisse um pouco sobre os conteúdos deles.

casa da atriz Bruna Linzmeyer

Com tudo isso, quero sugerir um debate. Quando nossa opinião deixa de ser uma simples opinião e passa a ser um julgamento maldoso? Esse não é o foco daquela reportagem (ou de tantas outras), mas por que as pessoas insistem em menosprezar o que elas não gostam?

Cuidado ao criticar a decoração alheia. Você não sabe como aquilo foi concebido, não sabe o trabalho que deu para que aquele ambiente ficasse daquele jeito. Não sabe do esforço de todos os envolvidos para que aquilo que você vê na foto esteja daquele jeito. Então, quando você critica uma simples foto de um “ambiente feio”, na verdade, você está criticando o trabalho de alguém, que muito provavelmente passou um tempão sonhando com aquilo, planejando como poderia colocar em prática, economizando onde podia para ter aquilo e, finalmente, executar.

casa da atriz Bruna Linzmeyer

Ok, a gente vê muita coisa cafona e você não é obrigado a gostar de tudo; cada um tem seu estilo próprio. Mas isso não é motivo para que você diminua aquele trabalho. O que é feio para você pode ser lindo pra outra pessoa e isso não nos dá o direito de intervir. Confesso que já titubeei muito ao receber pedidos de ajuda por email, de pessoas que têm dificuldade para decorar. Mas, ao mesmo tempo, sei que elas me procuram primeiro porque estudei muito para ser arquiteta e, segundo, porque elas se identificam com tudo que exibo aqui no Simplichique. Isso me dá segurança para responder a todas elas com muito carinho.

A partir de agora, sempre que você vir fotos da casa de alguém, mesmo que não goste do que está sendo mostrado, fique feliz por aquela pessoa, que desejou por tanto tempo ter uma casa daquele jeito, batalhou e finalmente conseguiu, ao invés de dizer que faria diferente ou que aquele abajur não tem nada a ver com o resto do ambiente. Poderia ser você nessa situação. Se a pessoa pedir sua opinião, claro, fique à vontade para dá-la, mas sempre com muito respeito.

casa da atriz Bruna Linzmeyer

E é por isso que meu coração explode de alegria ao ler, na mesma matéria sobre a casa da atriz Bruna Linzmeyer, comentários desse tipo:

casa da atriz Bruna Linzmeyer

Vamos amar mais e julgar menos, certo? E que isso sirva para tudo, não só sobre decoração.

Fotos: Julia Rodrigues / Fonte: Casa Vogue Brasil


Tem mais Simplichique aqui:

Este post tem 12 comentários

  1. oi Manu! na busca por inspiração pra deixar qualquer coisa mais charmosa dentro de casa, procuro fotos de ambientes por aí. Só que ao olhar essas imagens atentamente tenho a sensação de que o ambiente foi montado só pra fotografar. Falta aquele quê de aconchego, aquela coisa espirituosa que sentimos ao conhecer a casa de alguém e não querer mais sair!
    agora, meu Deus! a casa dela é muito inspiradora, e considerar cada parte da casa, como o buraco feito na parede acaba criando toda uma história… com certeza a casa da gente tem que ter significado! aliás, quando encontro matérias nos blogs onde as leitoras mostram a casa é que as ideias se despertam…como a leitora aqui do blog que transformou a sala… construir um abajur com cabos de vassoura como o dela ainda está nos meus planos! ótimo texto, bjo!

  2. Nossa amiga, como tem gente maldosa!
    Mas um alívio saber que tem gente com bom sendo e que respeita o gosto dos outros.
    Por isso não concordo com termos ” tem que ter” ou “o que não pode” ou “tá usando”
    Tudo pode, desde que tal coisa deixe a pessoa feliz, e não tô nem aí pra o que tá na moda.
    A dona dessa casa parece ser assim tb, quis a casa da forma que funciona pra ela, e é isso que importa.
    Bjo
    renovandoacasasempre.blogspot.com.br

    1. Pois é, Mag. E sabe de uma coisa? Muita gente acha que por eu ser arquiteta, deveria ter uma opinião contrária a essa coisa do “pode ou não pode” e eu acreditava nisso, até alguns anos atrás. Mas percebi que minha profissão serve pra DIRECIONAR o cliente que não sabe o que fazer, e não impor minha vontade e meus gostos na casa dele. Isso me dá muito mais liberdade na profissão, por incrível que pareça, porque eu não existo sem o cliente e meus projetos não podem existir sem a opinião deles. É uma troca mútua muito gostosa 🙂

  3. Ola Manu, li com atenção seu texto e me demorei nas fotos da casa da atriz. Não tinha lido a matéria e adorei conhecer uma casa diferente, cheia de detalhes e histórias que apenas a moradora dizem respeito. De facto é inaceitável o preconceito das pessoas. Como arquiteta, dou muitíssimo valor às pessoas que pensam fora da caixa e que ousam. Que vão em frente nas suas escolhas. Isto revela personalidade, autenticidade e originalidade. Ser diferente é estar nas minorias. E estar nas minorias é ter que aguentar com comentários maldosos. Mas quem tem uma personalidade como a esta atriz, passa por cima de tudo isto. Mas que é lamentável que nos século 21 haja tanto julgamento e preconceito gratuito, lá isso é. Obrigada por esta partilha e chamada de atenção para um assunto importante da intolerância! beijo!

    1. Pois é, concordo com tudo que você disse. Não dá para acreditar que haja tanto preconceito assim 🙁
      Obrigada por esse feedback, Val! Fico muito feliz de ter você por aqui 🙂
      Beijo grande!

  4. Após a leitura de muitos comentários ao post, percebi que estamos (quando digo estamos, me refiro a todos que se interessam ou praticam o minimalismo) entrando num caminho perigoso de “fotografar” o conceito de minimalismo. Muitos — que não se identificaram com a decoração da casa da atriz — relataram que não acreditam ser uma casa minimalista porque ali estão coisas velhas, acumuladas etc etc. Alguns relataram que a casa não segue o estilo minimalista porque há uma aparente desordem. Outros disseram que na reforma faria isso, aquilo, jogaria as coisas fora.

    Me parece que aqueles que curtem o minimalismo “fotografaram” um estilo Pinterest de ser e não um conceito que pode ser desde viver com o mínimo até comprar o mínimo (o que me parece ser o caso da atriz). Imaginemos que para ser minimalista-Pinterest ela tivesse que fazer uma mega-reforma? Isso geraria LIXO. Se para seguir esse estilo que povoa os imaginários tivesse que comprar um sofá-cinza-com-pelo-na-moda-minimalista? Geraria CONSUMO. O minimalismo é o OPOSTO a isso.

    Acho, sim, que o “estilo” da casa da matéria pode ser considerado minimalista: pouco lixo na reforma, reutilização de materiais, consumo moderado.

  5. Pois é! Casa é isso! Tem que ter a identidade a cara do morador e se as arquitetas contemplaram a necessidade e o gosto da moradora é isso que importa, ela gosta do básico, do necessário pra viver, das coisas próximas a mão e isso é tudo! casa é pra ser explorada cada canto, tudo que tem na casa é pra ser usado. Detesto casa com cara de show room cuja mobília não expressa nem um pouco o morador e está lá pra compor o espaço mas não tem uso. Aprovado!!!

    1. Vanessa, você disse tudo! Casa tem que ter alma, ser um espaço onde cada canto é usufruído, e não como se fosse uma vitrine, só pra expor um cenário. Eu também penso da mesma forma que você! Muito obrigada por sua contribuição!!
      Beijo grande!

  6. Amei esta casa, cheia de personalidade, de estilo próprio, leveza e principalmente pelo fato de não haver padrões de imitação da casa de outras pessoas. Aquele mundinho limitado de que só podemos usar decorações padronizadas e ideias copiadas em massa porque não se tem senso próprio do que se é bom para si mesmo!

Deixe uma resposta