Estereótipos em decoração e arquitetura

Estereótipos em decoração e arquitetura

Quero trazer um tema diferente para debater com vocês, desses que nem todo mundo fala sobre, porque estão bem aí na nossa frente tão corriqueiramente que a gente nem se dá conta: estereótipos.

Em qualquer dicionário, você verá que a definição dessa palavra é, muitas vezes, complexa. Envolve pré-julgamentos equivocados que a gente faz automaticamente sobre alguma coisa, situação, pessoa ou comportamento, baseados em clichês, mas que nem sempre têm um apelo pejorativo – daí a diferença entre estereótipo e preconceito.

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Eu, na minha mania de simplificar as coisas, prefiro dizer: estereótipos são rótulos. E, reforçando o que eu disse, rotular tudo é uma atitude já tão enraizada em nossa rotina que a gente faz isso o tempo todo sem perceber. Quer ver um exemplo disso aqui no blog?

Tenho certeza absoluta que vários de vocês já leram a descrição do meu perfil aqui do lado direito e se surpreenderam ao ver a minha foto e descobrir que eu adoro ouvir Metallica. Perdi as contas de quantas vezes já me disseram que eu “não tenho cara de quem curte rock”. É natural do ser humano fazer associações baseadas no senso comum, mas pensando por outro lado, por que necessariamente quem ouve rock tem que se vestir de preto, ser cheio de tatuagens, piercings, cultuar o demo (essa eu descobri recentemente) ou sei lá mais o que?

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Minha profissão é alvo constante dos estereótipos. Muita gente acha que contratar um arquiteto é coisa de gente que tem grana. Um designer de interiores, então? Só pra dondoca. Aliás, só de puxar o assunto “decoração” numa rodinha de amigos, certamente alguém vai ser taxado de metido por falar disso. O que acontece é que, por falta de informação, boa parte da sociedade pensa que os serviços prestados por esses profissionais são totalmente supérfluos.

Além disso, quando você procura por qualquer coisa sobre arquitetura, interiores e paisagismo, seja na internet ou em veículos impressos de comunicação, o que se costuma ver são grandes projetos suntuosos feitos por profissionais renomados, em fotos belissimamente editadas para deixar o leitor boquiaberto mas que, na maioria das vezes, passam longe da realidade de muita gente.

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Isso, GRAÇAS AOS CÉUS, vem mudando ao longo dos últimos anos. Alguns escritórios de arquitetura têm se especializado nessa pegada mais acessível de projetos de decoração, como é o caso do Buji e da Erika Karpuk. Já existem revistas de decoração voltadas para decoração possível, como é o caso das revistas Decorar Mais por Menos e Revista Casa Linda. E é claro, existem muitos e muitos blogs de decoração assinados por arquitetos e designers de interiores que não só focam nesse tema como ensinam a fazer muita coisa bacana gastando pouco.

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Nosso Conselho (CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo) também tem trabalhado no sentido de democratizar a profissão. O CAU de Minas Gerais, por exemplo, lançou uma campanha de conscientização do papel do arquiteto e urbanista em 2013. Quem se interessar pelo assunto, recomendo a leitura do portal Arquitetura e Urbanismo para Todos.

Portanto, convido todos vocês a pensarem nisso. Estereotipar algo ou alguém pode ser uma atitude automática, mas equivocada na maior parte das vezes. Já tive clientes com poderes aquisitivos bem distintos: uns com grana pra esbanjar, outros nem tanto, e outros cujo orçamento era apertadíssimo. Nada disso impediu nenhum deles de procurar um arquiteto.

Nunca julguem um livro pela capa, certo pessoal?

E quem quiser, sinta-se à vontade para continuar essa conversa, seja nos comentários, por e-mail ou através das redes sociais do blog. É o tipo de debate que me empolga e será um prazer trocar uma ideia a respeito. Se fosse num boteco, tomando uma breja, seria até melhor, mas fazer o que né.

P.S.: não ganhei nem um centavo para falar das empresas citadas nesse post. Elas apareceram aqui como exemplo para embasar meu argumento, já que são excelentes referências nesse nicho de mercado.

Imagens: 123 – 4

Este post tem 10 comentários

  1. Olha Manu, só posso te dizer: parabéns pelo post!
    O pior de tudo é que tem mto profissional que “quer ser rotulado”, né?!
    Adorei! Vamos marcar uma ceva (sou gaucha rsrs) pra conversar??? pode ser eu daqui e tu daí???
    rsrs bjos

    1. Pior que tem mesmo, Mel! E é assim que eles acabam contribuindo pra perpetuar essa imagem que a gente carrega por causa de uns poucos 🙁
      Opaaa! Adorei o convite! Só não vai poder ser agora pq em horário de trabalho, não rola né rsrs
      Bjão e obrigada pelo comentário!!!

  2. Olá Manuela! Adorei o tema que você trouxe nesse post.
    Os rótulos existem por todas as partes. Eu não entendo, somos todos diferentes, mas queremos cada vez mais ser iguais. Por que não, assumir a diferença e ser feliz, não é mesmo? Sem rótulos e preconceitos.
    Adorei você ter abordado a questão das edições das fotos para as revistas! Isso acontece o tempo todo e são poucos os que percebem isso e não deixam de influenciar por isso.
    Adorei!
    Beijão! Thamyrez

    1. É isso aí, Thamyrez, viva a diversidade! 🙂
      Obrigada pelo comentário!
      Super bjo!!!

  3. Oiii Manu, que post super interessante.
    Eu mesma como estudante de arquitetura e design, já fiquei intimidade me perguntando se um dia eu faria algo assim. Sou super a favor sim de projetos acessíveis, onde a casa seja apenas um lar.
    Ahh vamos marcar de nos encontrarmos, estarei em maio em SP, ai sim podíamos debater essa questão.
    Beijos

    1. Vamosssssss! Nossa, que notícia boa, Lívia!!!! Vai ser muito legal trocar uma ideia com vc!
      Bjão!!!

  4. Olá Manuela,
    Adorei o texto. Sou da área também e muitas vezes me incomodo muito com pessoas que não são da área e não tem conhecimento falando sobre arquitetura e decoração pela internet.
    Fico feliz quando encontro alguém da área falando coisas pertinentes e com embasamento. Parabéns!
    Bjs

    1. Clarissa, valeu pela força! Às vezes, eu até me revolto com certas opiniões que vejo na tv, nas internet e até ao vivo mesmo; precisamos acabar com esses pensamentos rotuladores e acho que expor nossas opiniões já é um bom começo pra pelo menos incitar um debate sobre o assunto, né?
      Obrigada pelo comentário! 🙂
      Um grande beijo!

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